FLUXO DE CARGA - Fundamentos

Autor: Paulo Eduardo Mota Pellegrino – agosto/2006

 

Introdução

A análise do fluxo de carga em uma rede de energia elétrica consiste em determinar os fluxos de potências ativa e reativa (grandeza e sentido da direção), as tensões nas barras (módulo e ângulo) e outras grandezas de interesse. Esses estudos são usados no planejamento do sistema e planos futuros para o sistema de potência. Supõe-se que o sistema esteja operando num regime equilibrado.

 

Para esse tipo de estudo a modelagem da rede é estática, ou seja, ela é representada por um sistema de equações e inequações algébricas onde as variações com o tempo são muito lentas e, portanto, não são levados em consideração.

 

Se nossa modelagem fosse dinâmica de modo a considerar os efeitos transitórios e, por conseguinte, a influência do tempo, dever-se-ia também de levar em conta as equações diferenciais. Esse tipo de representação ou modelagem é usado quando estamos interessados nos fenômenos transitórios – como exemplo o estudo de estabilidade do sistema.

 

Este artigo não pretende abordar os métodos de matemáticos de solução de um problema de fluxo de carga. Pretende isso sim, de dar os conceitos necessários para que você possa executar (rodar) um programa de fluxo de carga. Em outras palavras, você aprenderá a terminologia usada nesses estudos e os parâmetros elétricos necessários para a entrada dos dados num programa de fluxo de carga.

 

Você irá entender que um sistema elétrico de potência sujeito a um dado conjunto de demandas nas várias barras que o compõem, pode funcionar num infinito número de estados e ainda satisfazer as demandas. Cabe ao engenheiro analisar as várias possibilidades e selecionar aquela que melhor atenda as exigências técnicas. É isso que consiste o estudo do fluxo de carga, ou seja, comparar as várias soluções e selecionar aquela que atenda o ponto de vista da engenharia.

 

E, por último, mostraremos como executar o exemplo citado no livro Introdução à teoria de Sistemas de Energia Elétrica do autor Olle I. Elgerd, usando para isso os dois programas (Elplek e Laku) indicados na seção Links Selecionados do site www.centralmat.com.br. Espero que você já os tenha instalado em seu computador.

 

Convenção de sinais

Vamos começar mostrando algumas das terminologias normalmente usadas pelos engenheiros de Sistemas de Potência e também nos softwares, como esses que vamos utilizar no final do artigo.

 

Os principais componentes de um sistema de energia elétrica são:

  1. os painéis elétricos;
  2. geradores, cargas, reatores e capacitores;
  3. linhas de transmissão, transformadores e defasadores.

 

Os elementos dos itens 2 e 3 irão formar os ramos (branch em inglês) representados por uma impedância (ou admitância). Observe que um ramo pode conter ou não uma fonte ativa.

 

Os elementos do item 1 irão formar os nós (node em inglês) da rede. Esse nó é a interseção de dois ou mais ramos. Convém salientar que o Terra de um sistema define um dos nós do sistema. Assim, o ramo do gerador G1 está conectado entre o B1 e o Terra (fig.1).


     

                    fig. 1

 

Não estamos querendo complicar, apenas lembra-lo que nos estudos de curto circuito uma carga pode se transformar numa fonte ativa. É o caso dos motores que, num curto circuito, passam a ser fontes de contribuição para o valor total da corrente de curto.

 

Voltemos aos nós e ramos da rede. Os geradores e cargas são considerados parte externa do sistema e vimos que, como ramos, injetam potência nos nós da rede.

 

Para construir o conjunto das equações algébricas do sistema de potência que resolvem o nosso problema de fluxo de carga há necessidade de se utilizar uma convenção de sinais. É com base na convenção adotada que um software resolve o sistema de equações (fig.2).

 

Do ponto de vista do , normalmente a convenção adotada é

·        injeção de potência “positiva”  = “entra” no (ou barra)

·        injeção de potência “negativa” = “sai” no (ou barra)

 

·        potência do ramo “positiva” = “sai” no (ou barra)

·        potência do ramo “negativa” = “entra” no (ou barra)

 

 

                                        Fig. 2

Usando a convenção de sinais você percebe que no resultado não há necessidade de usar uma seta para representar o sentido do fluxo; só o sinal já basta.

 

Antes de rodar qualquer programa você deverá se certificar da convenção de sinais que o mesmo adota tanto na entrada como na saída dos dados. Procure no Help, no manual ou, se não tiver em nenhum deles, rode um “sisteminha” e analise os resultados. Essa convenção definirá os sinais “+” ou “-“ na entrada dos dados e na análise dos resultados obtidos.

 

Não se assuste quando dissermos que as cargas podem injetar potência. Isso é um artifício que alguns programas adotam para poder usar uma carga como uma fonte de energia. Vamos explicar a seguir e você vai entender o que significa injeção negativa. Como esse assunto é muito importante para você poder entrar com os dados e interpretar os resultados vamos dar alguns exemplos usados como artifício de programação nos softwares Elplek e Laku:

(Nota: nem todos os programas permitem utilizar esse artifício e nem todos precisam dele como é o caso do Laku)

 

  • Vimos anteriormente que carga “recebe” as potências ativa e reativa de um nó. Portanto essas potências, do para a carga, têm sinais “+”. A carga funciona como um ramo.

 

  • Leia com bastante calma... Podemos transformar essa carga numa fonte de energia, ou seja, “fornecer” potências ativa e reativa para o . Para isso basta colocar o sinal ”-“ para as potências ativa e reativa (lògicamente se estivermos interessados em inverter as duas potências). Veja a fig. 3.

 

 

                          

                          

                                 Fig. 3

 

ATENÇÃO: antes de executar o programa certifique-se da convenção de sinais para a entrada e saída dos resultados.

 
 

 

 

 

 


Para os elementos shunt das barras adota-se a mesma convenção dos geradores (injeção).

 

 

 

 

Fluxo de carga

 

Vimos que o objetivo do fluxo de carga é determinar, dado um conjunto de valores especificados, a tensão no barramento e o fluxo de potência através da rede.

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Formulação do problema de fluxo de carga

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Variáveis limites

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Métodos de solução

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Perdas na linhas

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Exemplo a ser “rodado” no Elplek e Laku

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“Rodando” o exemplo no ELPLEK

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“Rodando” o exemplo no Laku

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Apêndice A - Equação geral dos fluxos

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