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Contatos de
Reles
Afinal qual a corrente que determinado rele
suporta?
Não há uma resposta simples para esta questão.
1- Vamos supor o caso mais imediato: seria o de uma carga
puramente resistiva, ou seja, fator de potência unitário (cos a =1). Se
o rele estiver dentro da tensão de trabalho para os contatos, basta
observar o valor da corrente resistiva. O fabricante nunca deixa claro mas
devemos tomar como base estes valores a 25°C. Para temperatura mais altas esse valor
de corrente deverá ser menor. Por exemplo vamos tomar como base um
rele, cuja especificação, nos informa 10A resistivos. Se a tensão de
trabalho for até 250Vca, parte do problema está resolvido, mas somente
para a corrente de regime, não levando em consideração outros
variáveis. Temos que avaliar ainda a fenômenos que ocorrem na
comutação. O problema mais relevante é o da facilidade de formação de arco
voltaico em tensões acima de 80V, com o aumento da temperatura, o arco se
forma com tensões cada vez mais baixas. Estes causam a fusão do material
dos contatos. A durabilidade dos contatos está intimamente ligada a
formação de arco na comutação.
Para se aplicar os valores indicados, pelo fabricante do
rele, a única saída é evitar formação de arco, através de snubber
(circuitos RC) se em corrente alternada ou o uso de diodos para circuitos
em corrente contínua (veja circuitos à esquerda). Com o uso de diodos
temos o inconveniente de aumentarmos em até 3 vezes o tempo de abertura do
rele. Existem outras técnicas para conciliar o tempo de abertura, com o
uso de diodos zener ou com varistores.
2- Cargas Indutivas: Podemos dividir estas cargas em
indutivas com baixa corrente e indutivas para médias e altas
correntes. Na primeira classe podemos citar bobinas de contatores,
bobinas solenóides e bobinas de reles. Nestes casos é de suma importância
o controle da formação de arco. Pois certamente, ao desligar, serão
geradas tensões muito acima da especificada para os contatos, podendo até
mesmo ser ultrapassada a tensão de isolação elétrica entre a bobina e os
contatos. Cabe observar que reles para baixa corrente, de 1 a 3A,
devemos considerar a corrente inicial (de acionamento) de um contator ou
rele. Um contator ou rele, quando em repouso (não energizado) a bobina
tem um enorme gap de ar, fazendo com que a corrente inicial seja limitada
praticamente pela resistência elétrica do fio. A medida que o gap vai
fechando, a corrente vai caindo e quando fecha estabelece um loop
magnético fechado em ferro. Neste momento a corrente de regime é bem mais
baixa, mas com uma indutância bastante elevada. Devido ao circuito
ferromagnético e alta indutância, teremos agora uma grande tensão ao
desligar, gerada pelo colapso do campo eletromagnético em função da auto
indutância. Este fenômeno ocorrerá tanto em corrente contínua ou
alternada. Como há formação capacitiva, na bobina, de contatores ou
reles, vamos ter um circuito RLC com freqüência variável, conforme o gap
vai aumentando ao se afastar os contatos, irradiando ondas eletromagnética
de freqüência variável. Ë por isso que o desligamento de contatores e
reles costumam derrubar o funcionamento de instrumentos microprocessados
posto na linha onde está essa bobina ligada, ou próximos aos contatores,
solenóides ou reles. Novamente a única solução é dissipar essa energia
resistivamente através de snubber RC, RC com diodos, ou somente diodos,
nos casos mais simples.
3- Motores e lâmpadas com reatores
acionados por contatos.
Determinar o valor da corrente na comutação, neste caso, é
o mais complexo. Note que um fabricante que disponibiliza um rele para 30A
resistivos, em 220Vca, o mesmo é indicado para um motor de apenas 2 HP e 1
HP em 127Vca. Mesmo para um fator de potência de 0,5 este valor ainda está
muito abaixo do esperado para o rele. A razão disto está na formação do
arco.
Por exemplo em um motor com fator de potência com 0,5
indutivo, a corrente circulante pelos contatos do rele será o dobro da
corrente de responsável pelo trabalho útil (mecânico ou resistivo). Este
fato ocorre também com reatores de lâmpadas fluorescentes. Alguns
fabricantes de reatores chegam a F.P=0,3. Desta forma, 40 lâmpadas
fluorescente convencional de 40W em 220Vca teria uma potência de =1600W
(potência real resistiva, trabalho útil por segundo) e uma corrente de
1600 / 220 = 7,2A . Muitos fazem os cálculos até esse ponto, e adquirem um
produto para 10 A resistivos, até com aparente margem de
segurança.
Considerando o fator de potência de 0,5 temos a corrente
nos contatos de 2 x 7,2 = 14,4 A , muito acima dos 10 amperes resistivos
do rele. Os outros 7,2A são responsáveis pela formação do campo
eletromagnético nos reatores. Esta corrente não é usada para o trabalho
útil, como luz, no caso, e será devolvida ao circuito, sobrepondo-se à
corrente que gera trabalho útil (devolvida à fonte). O maior problema
ainda estará no desligamento dessa carga com vários reatores. Uma enorme
tensão devido a auto indutância será gerada. O exemplo acima é válido
para motores também. A melhor solução para que a corrente caiba sob medida
em um rele para 10A, na situação acima, seria a correção do fator de
potência através de um capacitor em paralelo com a carga. Podemos chegar
facilmente a um fator de 0,9 em cargas com corrente constatante, mas
colocamos um outro problema, a corrente de acionamento sobre um capacitor
descarregado, ou pior, acionamento em um capacitor carregado com o valor
do pico da tensão da linha com valor contrário ao que está sendo aplicado
no momento de fechar os contatos. A corrente de partida de motores, por
exemplo pode exceder de 6 a 10 vezes a corrente de regime, pode ser um
problema a mais, se esta não tiver curta duração até atingir a corrente de
regime. Se o sistema tem o fator de potência corrigido por capacitores em
paralelo com o motor, teremos um aumento ainda maior na corrente de
partida que os contatos dos reles terão que suportar. É exatamente este
o motivo da fusão, seguida de aderência, de contatos dos reles, ou
contatores, em acionamento de lâmpadas com capacitores na entrada,
lâmpadas a vapor pré-aquecidas por fialmento. É preferível que o capacitor
esteja descarregado, ao fechar os contatos. Usar um resistor com um valor
de compromisso entre descarregar o mais rápido possível, o capacitor, sem
que esta corrente signifique um grande consumo em instalações com muitas
lâmpadas. A saída mais adequada para esse caso é o uso de sistemas com
zero crossing (acionamento por passagem pelo zero da linha). Outro recurso
é o uso de PTC quando a carga for pequena e em outros caso, carga pesada,
partida suave (soft start).
Lâmpadas com filamento comum e halógenas (sem uso de
reatores)
Cabe notar que com lâmpadas com filamento, a partida a
frio será equivalente a um curto circuito quase sempre fulminando os
contatos do rele ou contator. Para esse tipo de carga, o uso de
contatos feito com liga de AgSnO2 é o mais indicado.
Mínima
corrente nos contatos.
Os reles têm uma limitação para a menor corrente nos seus
contatos. Por exemplo quando indicado para 300mW, 5V/5mA , este trio de
valores, significa que a menor potência que os contatos devem trabalhar é
de 300mW, não ser menor que 5 V ou menor que 5mA. Se sob 5 V a menor
corrente deverá ser no mínimo de 60mA. Se em 12V a menor corrente será 300
/ 12 = 25 mA se em 60V teremos 300 / 60 = 5mA e assim por diante. Note que
com 100V temos 300 / 100 = 3mA corrente abaixo da permitida de 5 mA. Neste
caso temos que forçar uma potência maior, com um resistor em paralelo com
a carga, para ficarmos acima dos 5 ma. A razão dessa limitação é devido
a vários fatores, um deles devido a resistência dos contatos que apesar de
baixa ela existe. Outro é o fato de corrente contínua formar eletrólise,
pois nenhuma atmosfera é perfeitamente inerte e sem oxigênio. Nestes casos
teremos a formação de óxidos isolantes e a interrupção do sinal. Caso seja
imprescindível o usos de reles, em baixa corrente, deve-se eleva-la sempre
bem acima desses valores para ocorrer uma “limpeza” nos contatos. O mais
indicado seria o uso de estado sólido, quando a tensão facilitar essa
opção.
Podemos concluir que para aplicar um rele corretamente,
devemos evitar a formação de arco.
Nota: Todas os nomes de marcas citadas acima são
propriedades de seus respectivos donos. Texto produzido pela assessoria
tecno-educacional Rodelta ( http://www.rodelta.com.br ).
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